"...O cérebro eletrônico faz tudo. Faz quase tudo,faz quase tudo.Mas ele é mudo. O cérebro eletrônico comanda. Manda e desmanda, ele é quem manda. Mas ele não anda. Só eu posso pensar..." Composição: Gilberto Gil







quarta-feira, 27 de abril de 2011

A caminho do trabalho

São 7h da matina. É melhor eu correr para não me atrasar, penso (...). Às 7:30h já é hora de estar entrando no coletivo para chegar ao trabalho. Abro a bolsa, guardo o cartão de passagem, fecho a bolsa, sento, abro a bolsa, pego livro e o fone de ouvido, fecho a bolsa... Tudo parecia normal até que o assunto ao lado me chamou a atenção! Disfarço, retiro o fone de um ouvido para melhor escutar:
- Oi, Beatriz.
- Olá. Como vai você Vanessa?
- Tudo caminhando desordenadamente. Esta tarde encontrarei  meu ex-marido para conversarmos sobre o Felipe.
- O que houve com seu filho?
- Está com sérios problemas. Não ajuda nas tarefas da casa, acorda somente na hora do almoço, disse que sente-se triste e desanimado para procurar um trabalho. Este ano resolveu não estudar para decidir com calma o curso e em qual faculdade irá estudar. As únicas coisas que ele faz são jogar futebol, jogar video game e dar umas voltas no carro do pai dele com os amigos. Coitado do meu "filhote"!
- Puxa, mas como pensa em resolver isto com o Ronaldo?


Ops! Retiro o outro fone do ouvido, ajeito-me no assento e volto minha atenção para a conversa alheia...


- Estive conversando com umas amigas...
- E o que disseram?
- Disseram que esta depressão pode ser em função do bullying.
- Como disse?!


Nestes momentos meu assustador mau humor e minha pseudo invisibilidade que surgem durante as manhãs quando levanto da cama até chegar no trabalho somem. Isto mesmo!


- Vamos levá-lo ao médico e cuidar disto. Quando saia de casa o coitadinho estava desligando o computador para ir dormir. Insonia.
- Bullying, depressão, insônia?
- Vanessa, chegou meu ponto, vou descer, amanhão nos falamos. Tenha um bom dia.


Indiferença a papos aleatórios de coletivo tem limites. Fecho o livro... Como assim o ponto dela já chegou? Mas o que ela responderia à amiga?


Ela eu não sei, mas tenho uma maneira mais simples de encarar os fatos. Aliás, acordo obstinada a resolver todos os problemas que surgirem. Desde que definiram que pais não podem dar tapas em seus filhos para corrigí-los, doença não identificada pelo médico é virose, e que pessoas saudáveis com frescura oscilam o comportamento e o justificam com possíveis traumas sofridos - sabe-se lá quando - acho que o mundo vai de mal a pior. Talvez este indivíduo precisasse de acompanhamento, de fato, mas acompanhamento dos pais para educação à base de limites. A palavra de ordem é bullyng. Na minha época não tinham tantos casos de depressão e bullyng, acredito que isso deveu-se ao fato de que as pessoas não estavam tão preocupadas em denominar as enfermidades, mas, possivelmente, em viverem de maneira otimizada - fazendo o máximo com os recursos disponíveis é o que quero dizer. Aliás, "na minha época' é a melhor época de todos os tempos, mesmo que na nossa fictícia realidade. Bem, mas voltando ao "filhote"... Conheço um tratamento que pode auxiliar muito, tanto no processo de identificação do nível da moléstia como na possível cura. É necessário deixá-lo na abstinência do computador e do carro, acordá-lo mais cedo para ajudar a organizar a casa tendo como condição o almoço - que é servido sem que o sujeito sequer saiba o preço do arroz. Mantenha-o ocupado durante todo o dia, desta maneira a insonia será contida durante a noite. A depressão virá quando ele começar a trabalhar ou a estudar, ele verá que não terá tempo para dormir, isto lhe trará a convicção de que ele era um ser extremamente abençoado e feliz. Ajudar a pagar a faculdade, andar a pé, etc.,  são terapias alternativas que podem auxiliá-lo ainda mais no processo de regeneração do ser contra vagabundice (...)


- Puxe o sinal para mim, por favor? Carrego livros e uma bolsa pesada. Vou descer no próximo ponto.
- Claro.


(...) Como eu gostaria de interagir com esta mãe, mas o máximo que me permiti foi esboçar um sorriso como forma de agradecimento. Afinal, dizer minha opinião seria demais!


- Obrigada motorista!

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