"...O cérebro eletrônico faz tudo. Faz quase tudo,faz quase tudo.Mas ele é mudo. O cérebro eletrônico comanda. Manda e desmanda, ele é quem manda. Mas ele não anda. Só eu posso pensar..." Composição: Gilberto Gil
domingo, 5 de junho de 2011
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Lição
Meu maior defeito, nos despreocupados dias da infancia, consistia em desanimar com demasiada facilidade quando uma tarefa qualquer me parecia dificil. Eu podia ser tudo, menos um menino persistente. Foi quando, certa noite , meu pai me chamou para conversarmos. Tinha nas mãos uma tabuazinha de pequena espessura e um canivete aberto. Ele me disse quando me aproximei: “ meu filho, risque uma linha em toda a largura da tábua.”. Obedeci e, em seguida tábua e canivete foram guardados na escrivaninha.
A mesma coisa foi repetida todas as noites seguintes. Ao fim de uma semana eu não podia mais de curiosidade. A história continuava. Toda noite eu tinha que riscar com o canivete, uma só vez, o sulco que se aprofundava. Afinal chegou um dia em que não havia mais sulco. Meu derradeiro e leve esforço cortara a tábua em duas. Papai olhou para mim longamente, e depois disse: “ você nunca acreditaria que isto fosse possível com tão pouco esforço, não é verdade?...Pois o êxito ou o fracasso de sua vida não depende tanto de quanta força você põe em uma tentativa, mas na persistência no que fizer!”. Foi essa uma lição de coisa impossivel de esquecer e que mesmo um garoto de dez anos pôde e soube aproveitar, não apenas na infância, mas durante toda a vida. Pense nisso! (autor desconhecido por mim, rs)
A mesma coisa foi repetida todas as noites seguintes. Ao fim de uma semana eu não podia mais de curiosidade. A história continuava. Toda noite eu tinha que riscar com o canivete, uma só vez, o sulco que se aprofundava. Afinal chegou um dia em que não havia mais sulco. Meu derradeiro e leve esforço cortara a tábua em duas. Papai olhou para mim longamente, e depois disse: “ você nunca acreditaria que isto fosse possível com tão pouco esforço, não é verdade?...Pois o êxito ou o fracasso de sua vida não depende tanto de quanta força você põe em uma tentativa, mas na persistência no que fizer!”. Foi essa uma lição de coisa impossivel de esquecer e que mesmo um garoto de dez anos pôde e soube aproveitar, não apenas na infância, mas durante toda a vida. Pense nisso! (autor desconhecido por mim, rs)
terça-feira, 31 de maio de 2011
20 e Poucos Anos
Você já sabe me conhece muito bem, eu sou capaz de ir vou muito mais além
Do que você imagina
Eu não desisto assim tão fácil meu amor, das coisas que eu quero fazer
e ainda não fiz
Na vida tudo tem seu preço seu valor e eu só quero dessa vida é ser felizEu não abro mão
Nem por você, nem por ninguém, eu me desfaço dos meus planos
Quero saber bem mais que os meus vinte e poucos anos
Nem por você nem por ninguém, eu me desfaço dos meus planos
Quero saber bem mais que os meus vinte e poucos anos
Tem gente ainda me esperando pra contar, as novidades que eu já canso de saber
Eu sei também que tem gente me enganando, mas que bobagem já é tempo de crescer
Eu não abro mão
"Não há nada que melhor defina uma pessoa do que aquilo que ela faz quando tem toda a liberdade de escolha."
William M. Bulger
"Não se ganha uma corrida na primeira curva, mas pode-se perdê-la lá."
Juan Manuel Fangio, piloto argentino de Fórmula 1
"O conformismo é o carcereiro da liberdade e o inimigo do crescimento."
Ella Fitzgerald
William M. Bulger
"Não se ganha uma corrida na primeira curva, mas pode-se perdê-la lá."
Juan Manuel Fangio, piloto argentino de Fórmula 1
"O conformismo é o carcereiro da liberdade e o inimigo do crescimento."
Ella Fitzgerald
Despedida
Por mim, e por vós e por mais aquilo
que está onde as outras coisas nunca estão,
deixo o mar bravo e o céu tranqüilo:
quero solidão.
Meu caminho é sem marcos nem paisagens
E como o conheces? _ me perguntarão.
_ Por não ter palavras, por não ter imagens.
Nenhum inimigo e nenhum irmão.
Que procuras? _Tudo. Que desejas? _Nada.
Viajo sozinha com o meu coração.
Não ando perdida, mas desencontrada.
Levo o meu rumo na minha mão.
A memória voou da minha fronte.
Voou meu amor, minha imaginação.
Talvez eu morra antes do horizonte.
Memória, amor e o resto onde estarão?
Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra.
(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão!
Estandarte triste de uma estranha guerra...)
Por Cecília Meireles
que está onde as outras coisas nunca estão,
deixo o mar bravo e o céu tranqüilo:
quero solidão.
Meu caminho é sem marcos nem paisagens
E como o conheces? _ me perguntarão.
_ Por não ter palavras, por não ter imagens.
Nenhum inimigo e nenhum irmão.
Que procuras? _Tudo. Que desejas? _Nada.
Viajo sozinha com o meu coração.
Não ando perdida, mas desencontrada.
Levo o meu rumo na minha mão.
A memória voou da minha fronte.
Voou meu amor, minha imaginação.
Talvez eu morra antes do horizonte.
Memória, amor e o resto onde estarão?
Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra.
(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão!
Estandarte triste de uma estranha guerra...)
Por Cecília Meireles
quarta-feira, 27 de abril de 2011
A caminho do trabalho
São 7h da matina. É melhor eu correr para não me atrasar, penso (...). Às 7:30h já é hora de estar entrando no coletivo para chegar ao trabalho. Abro a bolsa, guardo o cartão de passagem, fecho a bolsa, sento, abro a bolsa, pego livro e o fone de ouvido, fecho a bolsa... Tudo parecia normal até que o assunto ao lado me chamou a atenção! Disfarço, retiro o fone de um ouvido para melhor escutar:
- Oi, Beatriz.
- Olá. Como vai você Vanessa?
- Tudo caminhando desordenadamente. Esta tarde encontrarei meu ex-marido para conversarmos sobre o Felipe.
- O que houve com seu filho?
- Está com sérios problemas. Não ajuda nas tarefas da casa, acorda somente na hora do almoço, disse que sente-se triste e desanimado para procurar um trabalho. Este ano resolveu não estudar para decidir com calma o curso e em qual faculdade irá estudar. As únicas coisas que ele faz são jogar futebol, jogar video game e dar umas voltas no carro do pai dele com os amigos. Coitado do meu "filhote"!
- Puxa, mas como pensa em resolver isto com o Ronaldo?
Ops! Retiro o outro fone do ouvido, ajeito-me no assento e volto minha atenção para a conversa alheia...
- Estive conversando com umas amigas...
- E o que disseram?
- Disseram que esta depressão pode ser em função do bullying.
- Como disse?!
Nestes momentos meu assustador mau humor e minha pseudo invisibilidade que surgem durante as manhãs quando levanto da cama até chegar no trabalho somem. Isto mesmo!
- Vamos levá-lo ao médico e cuidar disto. Quando saia de casa o coitadinho estava desligando o computador para ir dormir. Insonia.
- Bullying, depressão, insônia?
- Vanessa, chegou meu ponto, vou descer, amanhão nos falamos. Tenha um bom dia.
Indiferença a papos aleatórios de coletivo tem limites. Fecho o livro... Como assim o ponto dela já chegou? Mas o que ela responderia à amiga?
Ela eu não sei, mas tenho uma maneira mais simples de encarar os fatos. Aliás, acordo obstinada a resolver todos os problemas que surgirem. Desde que definiram que pais não podem dar tapas em seus filhos para corrigí-los, doença não identificada pelo médico é virose, e que pessoas saudáveis com frescura oscilam o comportamento e o justificam com possíveis traumas sofridos - sabe-se lá quando - acho que o mundo vai de mal a pior. Talvez este indivíduo precisasse de acompanhamento, de fato, mas acompanhamento dos pais para educação à base de limites. A palavra de ordem é bullyng. Na minha época não tinham tantos casos de depressão e bullyng, acredito que isso deveu-se ao fato de que as pessoas não estavam tão preocupadas em denominar as enfermidades, mas, possivelmente, em viverem de maneira otimizada - fazendo o máximo com os recursos disponíveis é o que quero dizer. Aliás, "na minha época' é a melhor época de todos os tempos, mesmo que na nossa fictícia realidade. Bem, mas voltando ao "filhote"... Conheço um tratamento que pode auxiliar muito, tanto no processo de identificação do nível da moléstia como na possível cura. É necessário deixá-lo na abstinência do computador e do carro, acordá-lo mais cedo para ajudar a organizar a casa tendo como condição o almoço - que é servido sem que o sujeito sequer saiba o preço do arroz. Mantenha-o ocupado durante todo o dia, desta maneira a insonia será contida durante a noite. A depressão virá quando ele começar a trabalhar ou a estudar, ele verá que não terá tempo para dormir, isto lhe trará a convicção de que ele era um ser extremamente abençoado e feliz. Ajudar a pagar a faculdade, andar a pé, etc., são terapias alternativas que podem auxiliá-lo ainda mais no processo de regeneração do ser contra vagabundice (...)
- Puxe o sinal para mim, por favor? Carrego livros e uma bolsa pesada. Vou descer no próximo ponto.
- Claro.
(...) Como eu gostaria de interagir com esta mãe, mas o máximo que me permiti foi esboçar um sorriso como forma de agradecimento. Afinal, dizer minha opinião seria demais!
- Obrigada motorista!
- Oi, Beatriz.
- Olá. Como vai você Vanessa?
- Tudo caminhando desordenadamente. Esta tarde encontrarei meu ex-marido para conversarmos sobre o Felipe.
- O que houve com seu filho?
- Está com sérios problemas. Não ajuda nas tarefas da casa, acorda somente na hora do almoço, disse que sente-se triste e desanimado para procurar um trabalho. Este ano resolveu não estudar para decidir com calma o curso e em qual faculdade irá estudar. As únicas coisas que ele faz são jogar futebol, jogar video game e dar umas voltas no carro do pai dele com os amigos. Coitado do meu "filhote"!
- Puxa, mas como pensa em resolver isto com o Ronaldo?
Ops! Retiro o outro fone do ouvido, ajeito-me no assento e volto minha atenção para a conversa alheia...
- Estive conversando com umas amigas...
- E o que disseram?
- Disseram que esta depressão pode ser em função do bullying.
- Como disse?!
Nestes momentos meu assustador mau humor e minha pseudo invisibilidade que surgem durante as manhãs quando levanto da cama até chegar no trabalho somem. Isto mesmo!
- Vamos levá-lo ao médico e cuidar disto. Quando saia de casa o coitadinho estava desligando o computador para ir dormir. Insonia.
- Bullying, depressão, insônia?
- Vanessa, chegou meu ponto, vou descer, amanhão nos falamos. Tenha um bom dia.
Indiferença a papos aleatórios de coletivo tem limites. Fecho o livro... Como assim o ponto dela já chegou? Mas o que ela responderia à amiga?
Ela eu não sei, mas tenho uma maneira mais simples de encarar os fatos. Aliás, acordo obstinada a resolver todos os problemas que surgirem. Desde que definiram que pais não podem dar tapas em seus filhos para corrigí-los, doença não identificada pelo médico é virose, e que pessoas saudáveis com frescura oscilam o comportamento e o justificam com possíveis traumas sofridos - sabe-se lá quando - acho que o mundo vai de mal a pior. Talvez este indivíduo precisasse de acompanhamento, de fato, mas acompanhamento dos pais para educação à base de limites. A palavra de ordem é bullyng. Na minha época não tinham tantos casos de depressão e bullyng, acredito que isso deveu-se ao fato de que as pessoas não estavam tão preocupadas em denominar as enfermidades, mas, possivelmente, em viverem de maneira otimizada - fazendo o máximo com os recursos disponíveis é o que quero dizer. Aliás, "na minha época' é a melhor época de todos os tempos, mesmo que na nossa fictícia realidade. Bem, mas voltando ao "filhote"... Conheço um tratamento que pode auxiliar muito, tanto no processo de identificação do nível da moléstia como na possível cura. É necessário deixá-lo na abstinência do computador e do carro, acordá-lo mais cedo para ajudar a organizar a casa tendo como condição o almoço - que é servido sem que o sujeito sequer saiba o preço do arroz. Mantenha-o ocupado durante todo o dia, desta maneira a insonia será contida durante a noite. A depressão virá quando ele começar a trabalhar ou a estudar, ele verá que não terá tempo para dormir, isto lhe trará a convicção de que ele era um ser extremamente abençoado e feliz. Ajudar a pagar a faculdade, andar a pé, etc., são terapias alternativas que podem auxiliá-lo ainda mais no processo de regeneração do ser contra vagabundice (...)
- Puxe o sinal para mim, por favor? Carrego livros e uma bolsa pesada. Vou descer no próximo ponto.
- Claro.
(...) Como eu gostaria de interagir com esta mãe, mas o máximo que me permiti foi esboçar um sorriso como forma de agradecimento. Afinal, dizer minha opinião seria demais!
- Obrigada motorista!
terça-feira, 8 de março de 2011
Casais perfeitos
Não sei quanto a vocês, mas eu desconfio de casais perfeitos. Minha experiência sugere que eles não existem. Ao fim do meu relacionamento mais longo, que tinha se tornado intolerável, amigos próximos diziam: “Nossa, vocês pareciam tão bem”... Na minha segunda relação duradoura, que foi mais feliz, as pessoas comentavam, ao final: “Ah, mas vocês eram tão diferentes...”. Nos dois casos, ninguém tinha percebido nada. Na primeira vez parecia harmonioso e não era. Na outra havia aparência de conflito, mas ele não existia.
Com base nessa limitada experiência, casais que transpiram felicidade pública me deixam cético. Aprendi que as pessoas fingem bem-estar e harmonia, como interpretam tantas outras coisas que dão prestígio social. Pega mal fazer parte de um casal que vive às turras, que não dá certo, que passa uma imagem de infelicidade e derrota. Logo, as pessoas criam uma imagem de felicidade para consumo externo. Na intimidade ninguém sabe mesmo o que se passa.
Essas coisas me ocorreram ao ver Angelina Jolie na capa da revista Vanity Fair, falando do seu casamento de sonhos com Brad Pitt. Os dois são lindos, ricos e famosos. Viajam pelo mundo com suas seis crianças multirraciais. Quando ela faz um filme, sempre em lugares espetaculares como Veneza, ele acompanha e cuida das crianças. Quando ele filma, ela se torna mãe de tempo integral. Ah, sim: já falei que eles são lindos, ricos e famosos?
Eu não acredito nessa história nem por cinco minutos. É evidente para mim que casar a atriz mais bonita do planeta com o ator mais bonito do mundo não dá certo. Parece o roteiro de um conto de fadas. Parece o delírio de um relações públicas da Sony. É como se alguém pegasse os dois primeiros alunos da escola e os casasse. Ou montasse um casal com o artilheiro do time de futebol e a miss da cidade. No papel essas coisas parecem bacanas, mas na vida real quase nunca funcionam.
Um dos casais mais duradouros do cinema foi formado por Elisabeth Taylor e Richard Burton. Eram os Brangelina dos anos 60 e 70, com uma enorme diferença: juntos, produziram um furacão de sexo, álcool, luxo e escândalos. Burton era filho de mineiros miseráveis do País de Gales. Liz Taylor era a atriz mirim que cresceu diante das câmeras para ser a namorada da América. Tinham em comum somente a profissão de ator e o temperamento apaixonado. Viveram no amor as consequências naturais de uma vida pública de excessos. Ele caia de charme e ela de beleza, mas jamais foram perfeitos. Eram de verdade.
Eu olho para a vida das pessoas que me cercam e tenho a impressão de que as relações verdadeiras repelem as semelhanças. Casais interessantes são como o piano e o violino, a dama e o vagabundo, a bela e a fera. Divergem, destoam e se completam. Tenho a impressão de que apenas casais muito jovens são formados por gente da mesmíssima procedência. Quem teve a chance de andar pela vida, em geral escolhe fora do seu clã. Busca diferença e complementação. Procura o novo.
Eu tenho a sorte de conviver com estrangeiros. Percebo a naturalidade com que se montam arranjos dissonantes. O gringo loiro se apaixona pela moça brasileira que nada tem em comum com o estilo de vida dele. Funciona. O moço argentino se casa no Brasil e nunca mais vai embora. O mesmo acontece com muitas mulheres brasileiras na Europa. Ou européias no Brasil. Essas uniões improváveis celebram a diversidade humana e atendem ao desejo das pessoas de se aventurar. Nem todos podem ser Cristóvão Colombo, mas todos podem transformar a sua vida emocional em uma grande descoberta. Navegar é preciso.
Para andar longe na vida, porém, ajuda livrar-se do peso dos esteriótipos. Se todo mundo quiser ser o casal Brangelina, as possibilidades tornam-se limitadas. Não há beldades tatuadas disponíveis para todos. Nem bonitões milionários de ar meigo esperando em fila na próxima esquina. Esse é um sonho padrão, oferecido globalmente como um sanduíche Mcdonalds.
Quando se trata de afeto e relacionamento, melhor é cada um achar sua própria receita. A mulher que lhe cai bem, o sujeito que a deixa feliz. A percepção dos outros é menos importante do que os nossos sentimentos. O par perfeito aos olhos dos amigos pode ser fonte de tédio e aborrecimento. O arranjo de aparência harmoniosa que confere prestígio pode ser um desastre íntimo.
A mim ajuda lembrar, na hora de fazer escolhas, que casais perfeitos não existem: eles ficam bem nos filmes e ilustram divinamente a capas de revista, mas devem ser uma droga na vida real.
Por Ivan Martins
Com base nessa limitada experiência, casais que transpiram felicidade pública me deixam cético. Aprendi que as pessoas fingem bem-estar e harmonia, como interpretam tantas outras coisas que dão prestígio social. Pega mal fazer parte de um casal que vive às turras, que não dá certo, que passa uma imagem de infelicidade e derrota. Logo, as pessoas criam uma imagem de felicidade para consumo externo. Na intimidade ninguém sabe mesmo o que se passa.
Essas coisas me ocorreram ao ver Angelina Jolie na capa da revista Vanity Fair, falando do seu casamento de sonhos com Brad Pitt. Os dois são lindos, ricos e famosos. Viajam pelo mundo com suas seis crianças multirraciais. Quando ela faz um filme, sempre em lugares espetaculares como Veneza, ele acompanha e cuida das crianças. Quando ele filma, ela se torna mãe de tempo integral. Ah, sim: já falei que eles são lindos, ricos e famosos?
Eu não acredito nessa história nem por cinco minutos. É evidente para mim que casar a atriz mais bonita do planeta com o ator mais bonito do mundo não dá certo. Parece o roteiro de um conto de fadas. Parece o delírio de um relações públicas da Sony. É como se alguém pegasse os dois primeiros alunos da escola e os casasse. Ou montasse um casal com o artilheiro do time de futebol e a miss da cidade. No papel essas coisas parecem bacanas, mas na vida real quase nunca funcionam.
Um dos casais mais duradouros do cinema foi formado por Elisabeth Taylor e Richard Burton. Eram os Brangelina dos anos 60 e 70, com uma enorme diferença: juntos, produziram um furacão de sexo, álcool, luxo e escândalos. Burton era filho de mineiros miseráveis do País de Gales. Liz Taylor era a atriz mirim que cresceu diante das câmeras para ser a namorada da América. Tinham em comum somente a profissão de ator e o temperamento apaixonado. Viveram no amor as consequências naturais de uma vida pública de excessos. Ele caia de charme e ela de beleza, mas jamais foram perfeitos. Eram de verdade.
Eu olho para a vida das pessoas que me cercam e tenho a impressão de que as relações verdadeiras repelem as semelhanças. Casais interessantes são como o piano e o violino, a dama e o vagabundo, a bela e a fera. Divergem, destoam e se completam. Tenho a impressão de que apenas casais muito jovens são formados por gente da mesmíssima procedência. Quem teve a chance de andar pela vida, em geral escolhe fora do seu clã. Busca diferença e complementação. Procura o novo.
Eu tenho a sorte de conviver com estrangeiros. Percebo a naturalidade com que se montam arranjos dissonantes. O gringo loiro se apaixona pela moça brasileira que nada tem em comum com o estilo de vida dele. Funciona. O moço argentino se casa no Brasil e nunca mais vai embora. O mesmo acontece com muitas mulheres brasileiras na Europa. Ou européias no Brasil. Essas uniões improváveis celebram a diversidade humana e atendem ao desejo das pessoas de se aventurar. Nem todos podem ser Cristóvão Colombo, mas todos podem transformar a sua vida emocional em uma grande descoberta. Navegar é preciso.
Para andar longe na vida, porém, ajuda livrar-se do peso dos esteriótipos. Se todo mundo quiser ser o casal Brangelina, as possibilidades tornam-se limitadas. Não há beldades tatuadas disponíveis para todos. Nem bonitões milionários de ar meigo esperando em fila na próxima esquina. Esse é um sonho padrão, oferecido globalmente como um sanduíche Mcdonalds.
Quando se trata de afeto e relacionamento, melhor é cada um achar sua própria receita. A mulher que lhe cai bem, o sujeito que a deixa feliz. A percepção dos outros é menos importante do que os nossos sentimentos. O par perfeito aos olhos dos amigos pode ser fonte de tédio e aborrecimento. O arranjo de aparência harmoniosa que confere prestígio pode ser um desastre íntimo.
A mim ajuda lembrar, na hora de fazer escolhas, que casais perfeitos não existem: eles ficam bem nos filmes e ilustram divinamente a capas de revista, mas devem ser uma droga na vida real.
Por Ivan Martins
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Toda a vida num único momento
Pensar que a felicidade está onde não estamos é dar asas ao inatingível; se há momentos em que rimos e nos sentimos plenos, por que não admitir que a felicidade é possível? Por que essa busca incessante do ad aeternum, se este tempo não foi feito para nós, humanos, e sim para os deuses? Se é tão difícil ser feliz e se é tão bom sê-lo, por que não fingir pelo menos um sorriso. Fingir? Fingir seria certamente uma máscara e esta não condiz com a vivência plena que precisamos ter das coisas.
Ser feliz deve ser um peito aberto, desarmado ante o medo da incongruência ou do inesperado, colocar-se frente à vida sem temer que um soco por trás pegue-nos as costas. Deve-se confiar e rir, achando que o momento seguinte será melhor ainda.
Utopia? Que importam denominações, suposições, possibilidades.... ser feliz deve ser tão bom quanto caminhar na chuva e não se molhar; deve ser tão bom quanto abraçar um amigo, sentindo-o apenas como tal e, às vezes, sentindo no entrelaçar de braços que não se está sozinho, que o pior já passou e, doravante, tudo será carinho.
Ser feliz é não estar cansado, não pensar em se compensar do que quer que seja, porque não há por que ou do que se recompensar. A chuva se chega fria demais, é gostoso, o dia está abrasante; se a comida não é a preferida, tanto melhor, está-se satisfeito ou se quer emagrecer alguns quilos e quanto menos comida, melhor. Se a gente está feliz é porque está e ponto final. Felicidade é algo tão bom, tão bom que significa tanto, que esse tanto significa tudo. Não se é feliz vinte e quatro horas por dia, mas um instante que seja é o bastante.
Pergunte-se, pois, o que é ou onde está a felicidade e se alguém disser: — Comigo! ou Aqui!, este alguém terá chegado ao seu momento epifânico e ainda que, nesse momento cesse o seu respirar, diga-se deste alguém: — Valeu à pena viver!
(Regina Souza Vieira)
Ser feliz deve ser um peito aberto, desarmado ante o medo da incongruência ou do inesperado, colocar-se frente à vida sem temer que um soco por trás pegue-nos as costas. Deve-se confiar e rir, achando que o momento seguinte será melhor ainda.
Utopia? Que importam denominações, suposições, possibilidades.... ser feliz deve ser tão bom quanto caminhar na chuva e não se molhar; deve ser tão bom quanto abraçar um amigo, sentindo-o apenas como tal e, às vezes, sentindo no entrelaçar de braços que não se está sozinho, que o pior já passou e, doravante, tudo será carinho.
Ser feliz é não estar cansado, não pensar em se compensar do que quer que seja, porque não há por que ou do que se recompensar. A chuva se chega fria demais, é gostoso, o dia está abrasante; se a comida não é a preferida, tanto melhor, está-se satisfeito ou se quer emagrecer alguns quilos e quanto menos comida, melhor. Se a gente está feliz é porque está e ponto final. Felicidade é algo tão bom, tão bom que significa tanto, que esse tanto significa tudo. Não se é feliz vinte e quatro horas por dia, mas um instante que seja é o bastante.
Pergunte-se, pois, o que é ou onde está a felicidade e se alguém disser: — Comigo! ou Aqui!, este alguém terá chegado ao seu momento epifânico e ainda que, nesse momento cesse o seu respirar, diga-se deste alguém: — Valeu à pena viver!
(Regina Souza Vieira)
Soneto de Fidelidade
De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
(Vinicius de Moraes)
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
(Vinicius de Moraes)
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Nem tudo é fácil
Cecília Meireles
É difícil fazer alguém feliz, assim como é fácil fazer triste.
É difícil dizer eu te amo, assim como é fácil não dizer nada
É difícil valorizar um amor, assim como é fácil perdê-lo para sempre.
É difícil agradecer pelo dia de hoje, assim como é fácil viver mais um dia.
É difícil enxergar o que a vida traz de bom, assim como é fácil fechar os olhos e atravessar a rua.
É difícil se convencer de que se é feliz, assim como é fácil achar que sempre falta algo.
É difícil fazer alguém sorrir, assim como é fácil fazer chorar.
É difícil colocar-se no lugar de alguém, assim como é fácil olhar para o próprio umbigo.
Se você errou, peça desculpas...
É difícil pedir perdão? Mas quem disse que é fácil ser perdoado?
Se alguém errou com você, perdoa-o...
É difícil perdoar? Mas quem disse que é fácil se arrepender?
Se você sente algo, diga...
É difícil se abrir? Mas quem disse que é fácil encontrar
alguém que queira escutar?
Se alguém reclama de você, ouça...
É difícil ouvir certas coisas? Mas quem disse que é fácil ouvir você?
Se alguém te ama, ame-o...
É difícil entregar-se? Mas quem disse que é fácil ser feliz?
Nem tudo é fácil na vida...Mas, com certeza, nada é impossível
Precisamos acreditar, ter fé e lutar
para que não apenas sonhemos, Mas também tornemos todos esses desejos,
realidade!!!
É difícil fazer alguém feliz, assim como é fácil fazer triste.
É difícil dizer eu te amo, assim como é fácil não dizer nada
É difícil valorizar um amor, assim como é fácil perdê-lo para sempre.
É difícil agradecer pelo dia de hoje, assim como é fácil viver mais um dia.
É difícil enxergar o que a vida traz de bom, assim como é fácil fechar os olhos e atravessar a rua.
É difícil se convencer de que se é feliz, assim como é fácil achar que sempre falta algo.
É difícil fazer alguém sorrir, assim como é fácil fazer chorar.
É difícil colocar-se no lugar de alguém, assim como é fácil olhar para o próprio umbigo.
Se você errou, peça desculpas...
É difícil pedir perdão? Mas quem disse que é fácil ser perdoado?
Se alguém errou com você, perdoa-o...
É difícil perdoar? Mas quem disse que é fácil se arrepender?
Se você sente algo, diga...
É difícil se abrir? Mas quem disse que é fácil encontrar
alguém que queira escutar?
Se alguém reclama de você, ouça...
É difícil ouvir certas coisas? Mas quem disse que é fácil ouvir você?
Se alguém te ama, ame-o...
É difícil entregar-se? Mas quem disse que é fácil ser feliz?
Nem tudo é fácil na vida...Mas, com certeza, nada é impossível
Precisamos acreditar, ter fé e lutar
para que não apenas sonhemos, Mas também tornemos todos esses desejos,
realidade!!!
Vamos Acabar Com Esta Folga
O negócio aconteceu num café. Tinha uma porção de sujeitos, sentados nesse café, tomando umas e outras. Havia brasileiros, portugueses, franceses, argelinos, alemães, o diabo.
De repente, um alemão forte pra cachorro levantou e gritou que não via homem pra ele ali dentro. Houve a surpresa inicial, motivada pela provocação e logo um turco, tão forte como o alemão, levantou-se de lá e perguntou:
— Isso é comigo?
— Pode ser com você também — respondeu o alemão.
Aí então o turco avançou para o alemão e levou uma traulitada tão segura que caiu no chão. Vai daí o alemão repetiu que não havia homem ali dentro pra ele. Queimou-se então um português que era maior ainda do que o turco. Queimou-se e não conversou. Partiu para cima do alemão e não teve outra sorte. Levou um murro debaixo dos queixos e caiu sem sentidos.
O alemão limpou as mãos, deu mais um gole no chope e fez ver aos presentes que o que dizia era certo. Não havia homem para ele ali naquele café. Levantou-se então um inglês troncudo pra cachorro e também entrou bem. E depois do inglês foi a vez de um francês, depois de um norueguês etc. etc. Até que, lá do canto do café levantou-se um brasileiro magrinho, cheio de picardia para perguntar, como os outros:
— Isso é comigo?
O alemão voltou a dizer que podia ser. Então o brasileiro deu um sorriso cheio de bossa e veio vindo gingando assim pro lado do alemão. Parou perto, balançou o corpo e... pimba! O alemão deu-lhe uma porrada na cabeça com tanta força que quase desmonta o brasileiro.
Como, minha senhora? Qual é o fim da história? Pois a história termina aí, madame. Termina aí que é pros brasileiros perderem essa mania de pisar macio e pensar que são mais malandros do que os outros.
Um texto curto, extraído do livro "O Melhor da Crônica Brasileira - 1", José Olympio Editora - Rio de Janeiro, 1997, pág. 71
De repente, um alemão forte pra cachorro levantou e gritou que não via homem pra ele ali dentro. Houve a surpresa inicial, motivada pela provocação e logo um turco, tão forte como o alemão, levantou-se de lá e perguntou:
— Isso é comigo?
— Pode ser com você também — respondeu o alemão.
Aí então o turco avançou para o alemão e levou uma traulitada tão segura que caiu no chão. Vai daí o alemão repetiu que não havia homem ali dentro pra ele. Queimou-se então um português que era maior ainda do que o turco. Queimou-se e não conversou. Partiu para cima do alemão e não teve outra sorte. Levou um murro debaixo dos queixos e caiu sem sentidos.
O alemão limpou as mãos, deu mais um gole no chope e fez ver aos presentes que o que dizia era certo. Não havia homem para ele ali naquele café. Levantou-se então um inglês troncudo pra cachorro e também entrou bem. E depois do inglês foi a vez de um francês, depois de um norueguês etc. etc. Até que, lá do canto do café levantou-se um brasileiro magrinho, cheio de picardia para perguntar, como os outros:
— Isso é comigo?
O alemão voltou a dizer que podia ser. Então o brasileiro deu um sorriso cheio de bossa e veio vindo gingando assim pro lado do alemão. Parou perto, balançou o corpo e... pimba! O alemão deu-lhe uma porrada na cabeça com tanta força que quase desmonta o brasileiro.
Como, minha senhora? Qual é o fim da história? Pois a história termina aí, madame. Termina aí que é pros brasileiros perderem essa mania de pisar macio e pensar que são mais malandros do que os outros.
Um texto curto, extraído do livro "O Melhor da Crônica Brasileira - 1", José Olympio Editora - Rio de Janeiro, 1997, pág. 71
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"...canta o teu encanto que é pra me encantar, canta para mim qualquer coisa assim sobre você..."
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